E em um noite qualquer da semana, eu me perdi
em belas palavras e em lábios que insistiam em pedir passagem, passagem que eu
permiti. As palavras foram fundo na alma e atingiram as profundezas, que já
haviam se congelado com a frieza imposta a mim por mim mesma. Enquanto que nos
lábios eu mergulhei e senti o calor, a vida estava sendo incrementada a partir
daquele instante.
Eu senti a humanidade voltando a preencher os
átrios e ventrículos do meu coração, era inacreditável, mas eu estava a voltar
a viver.
Eu queria permanecer em meio ao sentimento
descoberto, mas eu sabia que eu precisava me manter longe. Eu queria sentir
mais e mais do êxtase que estava a provar, mas eu temia precisar dele para
viver.
Com o passar dos minutos, cruéis, estive
dispersa e deixei meu coração escolher por onde caminhar, bastaram mais
algumas batidas na alma e quando me dei conta, quando retornei a minha
sanidade, quando meus lábios tornaram a liberdade, era tarde demais pra temer
algo que já havia se concretizado. Eu já havia me apaixonado e não podia mais
estar longe daquele calor.
Parecia muito terrível, eu queria me beliscar
e confiar que estava no controle de tudo, mas não podia me enganar, eu estava
com uma estaca cravado em meu peito. Estava apunhalada pelo destino, e não conseguia
evitar sofrer, a era dor era demasiada forte. Queimava, ardia, era como fogo em
brasa, insuportável, sufocante, era amor, ou posse ou obsessão. Era algo além
do que eu podia suportar, além do que eu devia engolir, era algo que feria meu
orgulho e cicatrizava alguma parte de mim. Parte que eu preferia que
fosse arrancada.
Agora, cá estou eu. Vivendo ou vegetando, seja
o que for, nada mudara o fato de que eu amo e odeio me sentir assim, estar
assim, frágil, jogada aos caminhos tortuosos do gostar.
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