5 de set. de 2013

Batidas Na Alma


E em um noite qualquer da semana, eu me perdi em belas palavras e em lábios que insistiam em pedir passagem, passagem que eu permiti. As palavras foram fundo na alma e atingiram as profundezas, que já haviam se congelado com a frieza imposta a mim por mim mesma. Enquanto que nos lábios eu mergulhei e senti o calor, a vida estava sendo incrementada a partir daquele instante.
Eu senti a humanidade voltando a preencher os átrios e ventrículos do meu coração, era inacreditável, mas eu estava a voltar a viver.
Eu queria permanecer em meio ao sentimento descoberto, mas eu sabia que eu precisava me manter longe. Eu queria sentir mais e mais do êxtase que estava a provar, mas eu temia precisar dele para viver.
Com o passar dos minutos, cruéis, estive dispersa  e deixei meu coração escolher por onde caminhar, bastaram mais algumas batidas na alma e quando me dei conta, quando retornei a minha sanidade, quando meus lábios tornaram a liberdade, era tarde demais pra temer algo que já havia se concretizado. Eu já havia me apaixonado e não podia mais estar longe daquele calor.
Parecia muito terrível, eu queria me beliscar e confiar que estava no controle de tudo, mas não podia me enganar, eu estava com uma estaca cravado em meu peito. Estava apunhalada pelo destino, e não conseguia evitar sofrer, a era dor era demasiada forte. Queimava, ardia, era como fogo em brasa, insuportável, sufocante, era amor, ou posse ou obsessão. Era algo além do que eu podia suportar, além do que eu devia engolir, era algo que feria meu orgulho e cicatrizava alguma parte de mim.  Parte que eu preferia que fosse arrancada.
Agora, cá estou eu. Vivendo ou vegetando, seja o que for, nada mudara o fato de que eu amo e odeio me sentir assim, estar assim, frágil, jogada aos caminhos tortuosos do gostar.

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