Estamos sentados no jardim de outono. Um ao lado do outro.
Eu estou agarrada aos meus joelhos como um bebê na barriga de sua mãe. O tempo
está seco. Ele está do meu lado direito, seu braço esquerdo me envolve em um
abraço que esquenta. Ele descansa a cabeça em meu ombro enquanto olha o
horizonte. A brisa é fresca e move meus cabelos sobre o ombro exposto. É seguro
aqui.
Assim passamos horas, vemos o passar dos dias, a mudança das
estações. Juntos provamos do calor do inferno e do gelo do Alaska, sim, nós
também nos desentendemos. Mas nunca, jamais, sob hipótese alguma nos
abandonamos. É amor puro e sincero. E há uma declaração em cada detalhe, até em
ficar parados durante horas, um ao lado do outro. Eu não conheço outra forma
senão essa de dizer a ele que eu ficaria aqui o quanto ele quisesse, o quanto
ele precisasse.
Acho que ele lê os meus pensamentos; porque enquanto me
perco tentando gravar cada detalhe dele em minha mente; ele levanta a cabeça,
me olha nos olhos, desfaz o abraço que nos unia, corre as costas da mão
esquerda em minha face depois coloca uma mecha de cabelo atrás da minha orelha,
nessa hora corta minha respiração e me beija com ternura. O amarelado das
arvores desaparece, o azul do céu some, o chão já não existe mais. Tudo fica
diferente, eu fico diferente. Me agarro fime nele. Sua mãos percorrem minhas
costas e eu sinto que ele me segura como se eu fosse seu tudo.
As bocas se desconectam, ele cola sua testa na minha.
Respirações ofegantes e corações acelerados dançam a mesma música. Ele encaixa
sua cabeça no vão do meu pescoço e me envolve em um abraço com falta de ar.
Olho o céu e constato a verdade... é, o mundo é cor de rosa.
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