3 de set. de 2013

Cor De Rosa


Estamos sentados no jardim de outono. Um ao lado do outro. Eu estou agarrada aos meus joelhos como um bebê na barriga de sua mãe. O tempo está seco. Ele está do meu lado direito, seu braço esquerdo me envolve em um abraço que esquenta. Ele descansa a cabeça em meu ombro enquanto olha o horizonte. A brisa é fresca e move meus cabelos sobre o ombro exposto. É seguro aqui.
Assim passamos horas, vemos o passar dos dias, a mudança das estações. Juntos provamos do calor do inferno e do gelo do Alaska, sim, nós também nos desentendemos. Mas nunca, jamais, sob hipótese alguma nos abandonamos. É amor puro e sincero. E há uma declaração em cada detalhe, até em ficar parados durante horas, um ao lado do outro. Eu não conheço outra forma senão essa de dizer a ele que eu ficaria aqui o quanto ele quisesse, o quanto ele precisasse.
Acho que ele lê os meus pensamentos; porque enquanto me perco tentando gravar cada detalhe dele em minha mente; ele levanta a cabeça, me olha nos olhos, desfaz o abraço que nos unia, corre as costas da mão esquerda em minha face depois coloca uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, nessa hora corta minha respiração e me beija com ternura. O amarelado das arvores desaparece, o azul do céu some, o chão já não existe mais. Tudo fica diferente, eu fico diferente. Me agarro fime nele. Sua mãos percorrem minhas costas e eu sinto que ele me segura como se eu fosse seu tudo.
As bocas se desconectam, ele cola sua testa na minha. Respirações ofegantes e corações acelerados dançam a mesma música. Ele encaixa sua cabeça no vão do meu pescoço e me envolve em um abraço com falta de ar. Olho o céu e constato a verdade... é, o mundo é cor de rosa.

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