O chão está frio. As paredes e o teto me fecham no
inferno.Eu a sinto preenchendo minhas veias. Uau, acabou de atingir o coração e
agora ele pulsa deseperado.Minha respiração está ofegante, minha pele está se
congelando. Aperto os olhos com força, temo
não durar pra sempre. Abro os olhos e ele está ali. Antes cansada, agora
em meio segundo me ponho de pé. Corro até ele, pulo em seu colo e entrelaço
minha pernas ao seu redor. Tudo já se clareou e eu sequer havia notado. Meus
braços estão apertados envolvendo seu pescoço. Sinto meu mundo seguro de novo.
Ele me põe no chão, se senta e estica as pernas. Mesmo que
agora estejamos sobre a relva molhada no alto da campina e que o visual seja
lindo, preciso me aninhar em seu colo, o faço. Ele acaricia meus cabelos, corre
as costas da mão pelo meu rosto. Enquanto isso eu observo seu olhar, e me
esforço para gravar cada pedacinho do seu rosto. Ele é meu paraíso. É cada
pedacinho de mim, é o que eu não consigo ser. Ele é beleza e simpatia; eu sou a
feiura e antipatia; ele é a tranquilidade e eu sou o furacão que tenta destruir
tudo por onde passa... ele me traz seu amor incondicional e eu trago meu
egoísmo. Ele é tudo o que eu devia ter e se eu não soubesse que isso o
machucaria, com certeza o trancaria dentro de mim. Pra jamais fugir.
De repente, ele começa a se tornar só um esboço. Sua face se
torna disforme e eu tento chamá-lo, ele não responde. Volto a sentir frio,
volto a sentir nojo de onde estou. E agora, meu coração quase salta pela boca
quando a verdade vem à tona. Eu nunca saí daqui, e ele nunca esteve comigo. Ele
é só alguém que vive em mim mas, alguém que eu não tenho. Ele talvez exista,
todavia não garanto isso. Ele só me visita as vezes, nesses cinco minutos de
irrealidade que vivo, ou que morro. Até porque, ele é perfeito demais para ser
um demônio.
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