2 de set. de 2013

Biquíni de Póa

E mesmo com o dia nublado, eu mantive o ritual. Como em todos os sábados eu coloquei meu biquíni de póa, passei o protetor solar, prendi os cabelos em um coque e me estirei em uma cadeira de sol ali no jardim. Fiquei esperando que o sol obedecesse o costume, esperando que ele obedecesse a minha vontade.
Por quê eu fiz isso ? Porque eu detesto mudanças. E naquele dia mesmo que estivesse muito frio para estar "vestida" como eu estava, eu insistia em não alterar os hábitos.
Hábitos nos fazem ser quem somos. E sempre que deixamos um habito de lado, consequentemente deixamos uma parte nossa junto. Ali no cantinho, amuado. E eu definitivamente não gosto disso.
É ou pode parecer muito ridículo da minha parte mas, a verdade é que mesmo quando há algo ruim que todos consideram precisar mudar, eu opto por não mudar. Eu tenho medo dos resultados, eu acho. Tenho medo de como tudo fica depois, no fim.
E foi também no sábado em que mais uma vez eu quebrei minha promessa. Mais uma vez eu fraquejei. Me deixei levar pelo olhar negro e profundo que ele me lançava. Me deixei envolver pelo abraço quente e macio que ele me proporcionava. Eu colei meus lábios nos lábios dele sem sequer me importar com o mundo. Era um paradoxo. Era uma guerra dentro de mim. Uma guerra que eu perdia a cada nova batalha. Porque outra vez, depois de dizer que queria que ele fosse pro inferno, eu o segurei junto de mim, desesperada pela sua presença.
Era mais que amor e ódio. Eu não consigo explicar e, você com certeza não consegue imaginar.

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