Roubaram-me a chance de viver paralelamente, viver do outro lado, do melhor lado. Roubaram-me alguns sorrisos, um grande amor e muito dinheiro! deixaram apenas a certeza de que o que é monótono um dia me atingira. Não, infelizmente eu não estou imune, nunca estive, era só um pedaço da minha ilusão.
Agora, na pele eu carrego as marcas que escolhi carregar. Uma ancora, gaivotas, uma pena e frases que escrevi para tentar me parecer ser mais livre.
Acho que no fundo eu tenho medo, apenas medo da realidade e do que ela pode fazer a mim. Tenho medo da vida ser dura a ponto de eu não suportar, a ponto de me destruir. Mas nessa confusão cheia de medo da destruição, eu silenciosamente me destruo. De tanto viver no exílio que propus a mim mesma, agora eu me assusto quando me lembro que a civilização existe.
Eu poderia fingir que o mundo fora de mim não existe, poderia ser exatamente a mesma todos os dias. Mas ainda é muito cedo para aceitar a derrota. Ainda tenho uma réstia de visão e essa me impede de ignorar o fato; eu ainda sou jovem e para o fim da vida ainda falta muito tempo.
Viver algum tempo na monotonia já é ruim, imagine viver o resto do tempo... Isso seria a maior tortura.
Decidi sair da minha zona de conforto e enfrentar o mundo. Com a timidez, minha língua sem-papas algumas vezes perde a função e eu abaixo a cabeça. Preciso, sei que preciso criar coragem e dizer o que eu quiser como quiser dizer; olhar e olhar como eu quiser, mas acima de tudo, preciso sentir que cada desenho gravado em minha pele tem um fundo de verdade. Se me marco com a liberdade, que existam vestígios dela em mim.
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