Durante os últimos segundos, eu estivesse
exatamente como nos últimos anos, em nada mudei, em nada cresci, em nada
conquistei o que pretendia.
Vivo tentando decifrar sinais, buscando nos
mínimos detalhes uma prova de que talvez as coisas se tornem especiais como eu
espero; só que no fundo eu sei que é ilusão. É ilusão minha pra tentar viver
sem tanto vazio.
É um vazio que eu já tentei preencher. Eu já
escrevi, li, cantei, gritei, chorei, sorri, corri, fantasiei, mas nada...
Nenhuma das formas usadas pra meu preenchimento me fizeram sofrer tanto quanto,
quando eu me apaixonei.
Sim, eu me apaixonei um dia, imaginei a
beleza, a cumplicidade, a honestidade, o carinho mais terno e profundo. Eu
criei uma pessoa perfeita baseada nas minhas expectativas, nos meus sonhos. Eu
me mudei pra agradar a essa paixão, enquanto eu dizia que palavras bonitas não
me faziam diferença, ele tramava belas atitudes para confundir-me. E ele
conseguiu.
Vivenciei o toque, o olhar, o som de sua voz,
e aquilo mais do que me inebriou, entorpeceu meu corpo, minha mente, me fez
vulnerável. No inicio eu era capaz de ver todos os seus defeitos claros e
evidentes, agora, a essa altura, eu já sequer me lembrava deles.
Eu queria saber sobre ele, se estava bem, se
pensava em mim, se sentia minha falta; mas, ao mesmo tempo, eu queria que
jamais tivesse existido o dia em que eu o conheci. Se eu me arrependo de ter
dado espaço para conhece-lo ? Não, eu não me arrependo disso, eu me arrependo
de ter sido fraca, e não ter mantido a minha frieza durante todo o tempo, é
disso que eu me arrependo. Eu sofro por tê-lo tão perto e tão longe. Se ao
menos existisse a distancia permanente... Talvez eu descansasse, porque eu não
poderia sentir sua presença por aqui.
E é assim que eu acho que tem que ser, exatamente
como está sendo agora. Eu encarando minha solidão, com a cabeça erguida, com os
olhos ao horizonte, para não perder o equilíbrio nessa corda bamba, que é a
vida, e deixar cair meu coração, que agora está em minhas mãos, só em minhas
mãos!
Eu só espero que de tanto tentar me decifrar,
eu descubra algo bom. Por enquanto, quando me perguntarem sobre mim, a minha
resposta será objetiva... Indecifrei .
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