9 de set. de 2013

Somente Sim


Aprendi comigo mesma, e com o tempo, que é mais fácil dar nome aos sentimentos quando se escreve. Falar não facilita nada, para mim só trouxe o enorme prejuízo que é o silêncio. Para não ser obrigada a dizer o que eu sentia, eu sempre disse não sentir. Na primeira vez foi assustador, mas depois se tornou comodo o suficiente e suportável.
Desde o instante em que minhas palavras desentoaram-se do meu coração, eu soube que estava submersa por uma fina camada de frieza que no futuro viria a pesar sobre mim. Hoje temo o futuro que me cerca. O medo de sentir o dizer amar, ainda me assombra. Me faz recostar a cabeça no travesseiro e lamentar todos os sorrisos que perdi e os que perderei.
Queria a coragem que não tenho para dizer que a verdadeira verdade de mim, nunca foi dita. Mesmo que pareça assustador ler isso, é mais assustador para mim, que escrevo. E eu assumo: eu amo muita gente, muitas coisas, eu me magoo e desconto nos outros como se fosse raiva, quando no fundo é apenas carência. Quando grito e digo coisas absurdas, queria que alguém me abraçasse e dissesse: -Vai ficar tudo bem! eu me sentiria completa e real por ouvir isso.
A verdade é algo que rasga quando tenta fugir da garganta e ultrapassar os lábios, a mentira simplesmente se aproveita que todos os sistemas estão distraídos tentando barrar a verdade, e nisso ela foge. Mesmo que para a grande maioria das pessoas seja fácil e tolerável, para mim é repulsivo e não me orgulho de mentir e omitir centenas de sentimentos e sensações que vivem no meu ser.
Agora, ou mais para o futuro, eu pretendo ter forças para dizer a todos a verdade: sim eu sou humana! sim eu tenho um coração que pulsa! sim ainda resta humanidade em mim.

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