28 de nov. de 2013

Plenamente...

Há um homem. Ele tem a pele morena como o pecado, tem os olhos negros como a estrada em que caminho, tem mãos que traçam linhas em minha pele que ardem como fogo em brasa, tem um peito que se cola a mim e me sufoca me enchendo de ar, o calor que me atinge flui da circulação desesperada no corpo dele. O homem é como heroína, devagar e depois muito rápido, possui meu corpo como ninguém.
Segura meus cabelos da nuca e puxa minha cabeça para trás, me olha nos olhos com uma ternura invadida de desejo. Me beija enfurecidamente, movimenta seus lábios junto aos meus e eu sinto o doce sabor que ele carrega na boca. Nossos corpos numa dança perfeita e nada sincronizada. Minhas mãos tateando suas costas e gravando em minha mente cada pedaço dos ombros largos que ele impunha.
Em uma manobra brusca ele me cola na parede e fecha a porta atrás de nós. Prensa seu corpo forte contra o meu. Respira junto ao meu ouvido, roça sua barba no meu pescoço. Eu o beijo a face. Suas mãos percorrem a perna que colei à sua cintura. Ele volta ao beijo. Corro as mãos pelo seu peito, seu pescoço, enlaço meus braços em seus ombros. Ele puxa minha outra perna e a coloca a seu redor. Não toco mais o chão, é ele quem me segura.
Minha pele queima sob o vestido preto. Ele livra meus pés dos saltos altos e os arremessa longe de nós. Suas mãos dançam pelo meu corpo cada vez com mais rapidez, mais ânsia, mais fúria e luxúria. Seu beijo se afasta de mim, seu olhar inundado de indícios de humanidade se instala sobre meu ser. Ele me fita durante segundos que mais parecem uma eternidade, e sob um som que só nós ouvimos ele me beija novamente.
Ele me afasta da parede e me mantém em seu colo. Com três passos o homem se põe ao lado da cama que fora até poucos minutos o ninho de outro casal desejoso um do outro. Me põe no chão, se abaixa e começa a subir as mãos pelas minha pernas até alcançar a barra do vestido que ele segura e com toda delicadeza o vai subindo até tirar totalmente. Não me intimido pela forma como ele me olha, e depois se aproxima devagar e me deita na cama. Ele se deita comigo e, como que num pedido de permissão para continuar ele me encara e me beija o pescoço. Meu suspiro funciona como um sim. Ele me olha o colo como se procurasse pelo algo, um sorriso trinca em seus lábios quando o encontra. Com um movimento suave e quase imperceptível ele abre o feixe. Me olha de novo como se quisesse ter certeza da minha decisão, sorrio com simplicidade e ele entende que estou confortável. Vai abrindo levemente até me tirá-lo totalmente. Ele o arremessa ao chão. Por reflexo sigo o cair da peça de encontro ao solo.
Ele acabou de me arrancar o sutiã. O que eu usava era preto como a noite e com laços em ambas as alças. Era perfeito e se encaixava muito bem em mim mas, acabado de concluir. Nada me veste tão bem como seu olhar.
Então, num segundo me vejo ainda mais aninhada em seus braços. Mas me sinto livre e decidida a continuar, continuo. Ó gloriosa liberdade é essa que ele me faz provar, que me embriaga desse amor doce e fervente que ele me dispõe e que pelo resto da noite, quem sabe da vida, me deixa ficar em seus braços, plenamente...

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