Tem mais de um mês que eu não escrevo nada. Sei lá o que aconteceu. Acho que o cheiro do mofo, dentro de caixas que eu guardo, me causou uma reação alérgica e então houve esse apagão. Eu ainda não sei exatamente o que escrever mas, há de valer o fato de eu estar aqui tentando. Puxa vida !
Estou agora, organizando o meu armário. Estou guardando o que deve ser guardado, o que merece ser guardado e estou me livrando do que não tem mais espaço aqui, do que só cabe no lixo.
Corro os olhos pelo armário de aroeira e me decido a começar por 5 kg que estão bem lá lado da porta, olho-os bem e avalio o que faço com eles. Estão velhos, sujos e usados demais. Não me servem pra nada, por isso vão pro lixo. Eles custam a aceitar, parecem até ter sentimentos mas, no fim, acabam aceitando e se aquietando no fundo da lixeira.
Depois, em um passo para direita piso em meus óculos velhos, havia os deixado ali no chão por preguiça de guarda-los e acabado por esquecer, agora uma de suas perninhas descansava afastada do resto da armação. Nesse momento de que me vale guardar esses cacos do que fora um óculos ?, recolho-o, miro e acerto a lata de lixo há exatos 70 cm de altura.
Em um movimento brusco quase derrubo meus conceitos e ideais, uma coleção de muito tempo constituída de peças escolhidas criteriosamente, elas balançam pra direita pendem pra esquerda mas retornam ao equilíbrio. Noto que estão todas muito bem conservadas, mesmo algumas tendo mais de décadas. O único problema é que mesmo estando muito novas ainda, já estão ultrapassadas perante os novos lançamentos. Decido que está na hora de renovar a coleção, então, os tomo em mãos e os arremesso de encontro ao resto de lixo. Ouço tudo se partir em mil pedaços e sinto o instantâneo alívio se apossar do meu peito.
Recolho toda sujeira restante, as antigas mágoas, os cortes de cabelo passados, os frascos de perfume vazios e amontôo na lixeira. Vejo a lata quase cheia. Abraço a lixeira plástica azul, e encaminho um pé após o outro quando quase perco o equilíbrio.
É um amor. E eu vivo tropeçando em antigos amores. É que eu tenho um sério problema para deixar as coisas e as pessoas irem embora. Eu me agarro, seguro enquanto agüentar. Eu não gosto quando vão embora, eu tento impedir. Não conte pra ninguém, por favor. Todos sempre pensam que a faxina é geral mas, na verdade eu só tiro tudo do armário e jogo embaixo da cama para manter essas criaturas aqui, vivas. Ah! se livrar do passado é com certeza como se livrar de ter vivido.
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