30 de ago. de 2013

Adeus Romeu


Agora eu seguro o tempo. Me agarro a ele com todas minhas forças. Meu coração pulsa tão feroz que posso sentir a garganta doer. O rosto inundado pelo suor frio, esconde as lagrimas quentes que se deitam em minha face. Tampo os ouvidos, com a força que tenho, esperando não ouvir o burburinho das pessoas. Prendo minha visão no seu rosto angelical, em seus lábios finos e beijáveis, não consigo me desconcentrar de seus olhos negros como o túnel escuro pelo qual o trem passa abaixo dos nossos pés.
O rapaz, por quem eu prometera nos últimos anos o amor eterno, acha que chegou a hora de partir. Esse mesmo rapaz, que me prometera amor em mesma proporção, parece não querer ir. Sinto que se ele for levará mais do que uma parte de mim, uma parte de tamanho incalculável. De frente, olhando-me nos olhos, ele me beija a bochecha esquerda. Não sei se o beijo durou alguns segundos ou algumas horas, mas me decepcionei quando senti o vento acariciando o pequeno espaço de pele que ele tocou para se despedir.
Ele já atravessou, sobre a faixa de pedestres, a rua mais movimentada da cidade. Do outro lado, se põe de frente para mim. Ergue a mão direita e acena calmamente, não enxergo muito bem dessa distância mas noto que ele franze o cenho. Aceno de volta. Ele me dá as costas e permanece parado durante alguns segundos, parece pensar em voltar, mas não volta. Um passo, dois, e eu o perco de vista em meio a multidão que constantemente escorrega pela cidade.
Para que não me arrependa de não ter me despedido o suficiente sussurro ao vento:
-Romeu, resguarda em teu peito a mais eterna gota do amor que lhe deixo.- imploro para que essa frase de alguma forma encontre o caminho do seu peito.
Agora sou quem da um giro em 180º graus sobre os próprios pés. Penso em reverter à posição anterior, atravessar a rua correndo e tentar encontrá-lo onde as ruas o tenham levado, mas não o faço. Pelo contrário, encaminho um pé na frente do outro e começo a seguir o meu caminho. Sozinha, sem sequer me dar ao luxo de olhar para trás só para conferir se ele não está lá de volta, eu vou trilhando as calçadas, trilhando a vida, sem saber onde vai dar. E sem curiosidade ou medo, só paciência para um dia conhecer o ponto de chegada.

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