Dizem que todos se rendem ao
tempo. Dizem que não há nada, nenhum acontecimento, nenhum defeito, nenhum
sentimento que o tempo não altere. Eu não acredito nisso. Eu queria acreditar
mas não consigo. Não que eu esteja me tornando ou que já tenha me tornado
desiluda com a vida mas, é que eu não quero voltar a me iludir com as pessoas.
Não dar a elas chances e a mim esperanças, porque elas são egoístas. Somos
egoístas.
Já houveram vezes em que eu podia
me proteger, eu podia ter recuado e defendido quem eu era e o que eu tinha mas,
graças aos que eu julgava pessoas de
verdade, eu sofro hoje. Eu entreguei meu coração dezenas de milhares de vezes.
E em dezenas de milhares de vezes eu fui ferida a duros golpes. E o que me
restava de cada vez que isso me acontecia ? Um sentimento por alguém que não me
sentia.
Foi assim, caindo; levantando e
desequilibrando tudo o que sentia; caindo de novo; que um dia eu aprendi um
jeito de me manter em pé por mais tempo. Porque no fim a gente nunca para de
cair (e não haveria graça se isso acontecesse, eu acho. ) mas, também nunca
para de se levantar. Mesmo que algumas vezes demorem mais que outras, a gente
se levanta sempre. E se levanta mais forte, com mais fibra. Pronta pra outra
luta. Porque se eu tenho alguma sabedoria, é a de que ninguém sofre para se
levantar... sofre pra entender que caiu.
Difícil é se convencer de que
quem você amava te deixou ali, jogado, sem se preocupar com seus sentimentos,
suas dores. No fundo, enquanto está no chão, você se dá um milhão de beliscões
para se certificar de que não é um sonho. É quando é impossivel perceber que é
a realidade, nua e crua, é a sua realidade. É a realidade, que vira e mexe,
também é minha de novo. É a relidade que
sempre em algum dia, é de todo mundo.
E eu pergunto o que te resta ?
Porque eu sei o que sempre me restava. Restava um sentimento que só me
torturava. Um sentimento que sempre precisa desaparecer à base de pancadas.
Porque sozinho ele não vai. Então você dedica dias e dias, meses e até anos
para matar essa “coisa”. Quando sem que você se dê conta, já matou. a.A “coisa”
desapareceu de você. Sua liberdade voltou. É a melhor sensação do mundo. E mesmo que você tenha acabado de
cometer um assassinato, sua alma está leve e suave como uma pluma. Afinal, foi
só mais um não é ? No fim, cada um carrega um crime dentro de si. Você não é a
primeira nem a última pessoa a viver com isso. Se te fez bem, é o que importa.
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