Mais um soco na porta. Se Deus existe, me ajude agora. Tenho medo. Sinto
calor mas suo frio. Ele continua batendo na porta, está muito nervoso, muito
irritado. Quer fazer-me mal. Causar-me sofrimento. Acho que é melhor deixá-lo
entrar e ver o que acontece; talvez não esteja tão cruel hoje, talvez não
esteja com intenção direta de ferir-me. Estou lutando em vão, mais cedo ou mais
tarde ele vai entrar aqui e fazer com a minha vida o que pretender. Não poderei
impedir. Grito por socorro e isso o deixa ainda mais enfurecido. Ele ainda luta
contra a porta que já começa a dar sinais de que vai cair. A porta caí.
Ele entra na sala de paredes pálidas. Corre os olhos por cada centímetro
quadrado. Estou agarrada aos meus joelhos, encolhida no cantinho. Ele me
encontra e pousa seus olhos nos meus. Sinto a brutalidade que ele exala. Minhas
pernas tremem enquanto ele trota em minha direção. Aperto os olhos, quem sabe
ele desaparece... Abro os olhos e constato meu engano. Ele continua vindo.
Chega.
Se abaixa lentamente e agarra meu braço com força, então me põe de pé.
Enquanto uma mão está segurando meu braço, a outra segura a nuca para que eu
não mova o pescoço. Ele me empurra para caminharmos até a porta. Uma lágrima
quente rola em meu rosto. Engulo em seco. Respiro fundo e estufo o peito. Tenho
de sair daqui com coragem estampada na testa.
Atravessamos a porta e ele me solta. Entramos em um ringue. As pessoas
gritam pelo nome dele e eu só recebo vaias. Caramba, será que hoje consigo
vencer esse cara ? Estou cansada desse tal de campeão. Eu quero o cinturão. É
hoje que esse tal de Medo perde título !
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